quarta-feira, 16 de março de 2016

Pânico


Pânico é um sentimento que conheço bem e ultimamente tenho sentido, não se passa nada de errado. mas começar de novo deixa-me petrificada mesmo que seja uma coisa boa.

Ter medo do desconhecido é normal, ter medo de errar igualmente, mas não podemos deixar que as mudanças sejam assim tão assustadoras porque se não acontecerem na nossa vida vamos ficar no mesmo sitio para sempre e isso é que devia assustar mil vezes mais. Responsabilidade acontece, o tempo encima a lidar com ela e com o nosso medo de falhar, mas mesmo assim, estas palavras grandes e poderosas podem arruinar o dia.

Tenho que repetir a mim mesma que ninguém é prefeito ou que é infalível, mas também que toda a gente vai errar e que há sempre uma aprendizagem. Não gosto de sair da minha zona de conforto mas também não quero ficar petrificada nela.

O medo é grande, a responsabilidade também, mas o medo de falhar acaba quando soubermos que não há nada que nos possa fazer mal do outro lado. Mesmo que só de pensar queiramos fugir.. 

sexta-feira, 4 de março de 2016

O sistema "Ser Humano Bem Sucedido".

Nós lutamos para termos um vida "normal", composta.

O  nosso cérebro separa informação por categorias desde pequenos e há um sistema que me lembro perfeitamente ser repetido em varias conversas. O sistema "Ser Humano Bem Sucedido" é o sistema que qualifica uma pessoa ao sucesso e a uma vida completamente coordenada, se não me fala a memoria era assim que me lembro dele:

1º- Escolaridade (até ao limite e de preferência com honras) 

2º- Trabalho (inclui um salário digno dos teus estudos e regalias)

3º- Família (construir uma e ser bem sucedido ou seja que nenhum dos teus filhos falhe o mesmo sistema)

Para este sistema ser preenchido temos que suprimir ideologias, sonhos e matar qualquer criatividade e o ideal é sermos maquinas prontas para a programação. Não podes deixas os teus estudos e nem penses em deixar alguma das disciplinas a meio, porque pior que falhar e deixar de fazer; não sejas arrogante e aceita os dois anos que a empresa não te paga o que prometeu, porque pelo menos não estás a falhar com a sociedade e com as boas estatísticas do pais; nunca olhes para a tua/teu parceiro com um mínimo de ressentimento quando ele/a diz que não vales nada como pessoa enquanto de atira objectos que vão deixar marca (que tens que esconder e dizer que foi um acidente sejas mulher ou homem) e nunca deixes o teu filho/a pensar que o hobby onde ele/a é o/a melhor pode lhe trazer felicidade tanto pessoal como financeira se o tentarem perseguir como profissão. 

Não vou ser injusta porque sei que hoje em dia as coisas mudaram, as mentes estão a rachar, e o sistema está a ser provado enganoso e cheio de "mas" e isso é bom. Assim quando chegar a vez dos meus filhos e dos meus netos eu possa dizer que tenho um filho ou um neto que ganha bom dinheiro a desenhar e escrever banda desenhada mas nunca frequentou uma universidade de artes ou línguas, tem uma casa grande e um família linda. 

segunda-feira, 18 de janeiro de 2016

repetição.


Há dias que custa levantar...(acho que já comecei tantas vezes com estas palavras que devia ter uma lista de contagem só para elas, mas acho que ia acabar por perder a conta. Mas de qualquer maneira aqui vamos mais uma vez.

Não sei o que posso fazer para mudar este sentimento de desistência dentro de mim. Talvez mudar a minha maneira de ser ajudasse, mas depois perdia todos os anos de auto aprendizagem que a minha mente pouco positiva me dá de vez em quando. Seria um desperdício ouvir a minha mini foz interior e acabar com isto de uma vez por todas, mas acho que o meu sucesso depende dessa voz ou até da contradição dela. 

Sou uma desleixada no que se trata de confiança e auto ajuda acho que nego a mim mesma um final feliz porque vivo melhor (ou com menos expectativas) nesta permanente melancolia, mas considero-me ironicamente hipócrita por ter tudo para ser feliz, tenho uma família (meio doida) que me ama, tenho um namorado (que não é propriamente doido) que me ama muito e tenho... ou melhor tinha um trabalho (não era nada que me matasse mentalmente). Mas mesmo que a ultima parte tivesse completa ainda me sentiria melancólica e depressiva, 

Quando diziam que a depressão nunca passa e que aprendemos a viver com ela aos poucos eu ria porque se a depressão é doença devia haver uma cura, mas no entanto uma constipação também é doença e não tem uma cura definitiva... (é tarde e o meu cérebro acha que esta comparação é boa, mas não das melhores). Apesar de ambas possam ser evitadas (mais ou menos) com remédios. 

Não quero ir por esse túnel novamente é demasiado escuro, e cheio de buracos onde posso partir as pernas e nunca mais chegar ao outro lado, onde tenho a minha família, o meu namorado e (possivelmente) um trabalho à espera para colar os cacos. 


A verdade sobre o medo


Quem não tem medo do mundo acaba por ser engolido, não tem instinto de sobrevivência e isso é um problema porque sentir medo não é uma fraqueza é uma mais valia, algo que nos mantém acordados e a espernear para sobreviver a mais um dia nunca pode ser uma coisa totalmente negativa.

Criar um ambiente sem medo é sinal que vamos falhar, pode não ser já, mas é um passo mais perto de pensar que podemos ser parvos a vida toda sem qualquer realidade das consequências, o mundo foi feito para andar sem redes de segurança, foi feito para arriscar e para escolher o nosso caminho apesar de querermos um sitio onde não possamos ser julgados pelas nossas escolhas não faz de nós pessoas mais felizes ou seguras, faz de nós medricas, falhados. 

Sem o sentimento do medo e da incerteza, não temos a vontade de tentar, de julgar por nós próprios se o medo de fazer certas coisas é real. Somos humanos, carne e osso, devemos ter medo porque ele aquece a pele antes de saltar, dá energia antes de entrar numa sala cheia de pessoas que estão com muita vontade de te apontar o dedo e dizerem que já falhaste, o medo da a certeza que essa carne e esse ossos têm sangue a passar por eles.

Nós aguentamos, vivemos e até cultivamos o medo como forma de intimidar quando ele devia dar poder a quem o tem. 

Mas quem sou eu para saber seja o que for, tenho medo de dizer o que gostava de ser em voz alta. Tenho medo de falhar, de saltar para um mundo sem rede, para um mundo que usa o meu medo como espada enquanto eu o devia usar como armadura. 



Strange dreams.



O frio congela o sangue das minhas veias, o medo ocupa o meu pensamento e ganha lugar de prestigio, ninguém quer sentir isto... sentir a incapacidade de lutar contra o nosso sangue correr mais espesso. Certifico se o meu coração ainda bate, a resposta é sim, bate regularmente como se a minha mente quisesse pregar me uma partida de mau gosto como aquelas que dão na televisão.

- O mundo está a fica pequeno. - penso eu ao sentir ele a esmagar os meus pulmões sem razão para tal. - Ninguém merece este tratamento quando há no mundo milhares de pessoas que são piores que eu. 

Começo um discurso mental para justificar a minha vontade de resistir: não posso ficar por aqui, não pode ser só isto... estou cheia de planos e de vontades, mas principalmente cheia de anos pela frente para remendar esta vida de mau estar e de objectivos deixados a meio.

Acordo em sobressalto e certifico me que o meu coração não está a abrandar novamente.

- Porque eu? - penso novamente

A minha mente está, nada subtilmente, a dizer que estou a desperdiçar a minha vida. Mas será que eu tenho feito alguma coisa para contradizer? Será que tenho aproveitado o que me deram, ou tenho eu estado a fazer o que a minha mente está a tentar fazer me ver. Será que tenho vivido com um cronometro avariado? Cheguei eu a viver sequer ?

Agora que controlei a respiração e sentada na cama começo a pensar sobre o sonho que tive, sobre a veracidade do que o meu cérebro nada subtil estava a mostrar. E é verdade, tenho medo que a vida seja só isto, só dor, só incerteza, só magoa.. só sobrevivência então travo, não vivo da maneira como quero nem completo algumas etapas. Não vim ao mundo com um manual de como as coisas funcionariam, tem dias que tanta duvida esmaga qualquer confiança em mim, descarta cada sonho que penso estar a realizar.

Então para não sentir que a vida é injusta ou "curta" o meu método de escape é ignorar, é sobreviver.



sexta-feira, 8 de janeiro de 2016

O passado fez uma visita ..



Ninguém gosta de ser esquecido, ou rejeitado, mas chega uma altura que isso deixa de fazer diferença. Começamos a ganhar uma pele rija em volta de nós, algo que nos proteja da brutal desonestidade das pessoas, das mentiras que podem arrastar um pessoa para sítios maus. 

Não podes obrigar ninguém a esquecer, que magoar-te é divertido ou de te iludir com frases que sempre esperaste ler, mas podes lutar de volta, podes deixar os sentimentos de lado e ser brutalmente honesta com essa pessoa.

"Não posso sentir saudades de alguém que nunca gostou de mim." 

Sentir saudades é um termo engraçado, a saudade tem muitas caras, muitos tamanhos e principalmente muitos significados. Podemos sentir saudade de um momento, de uma hora ou até de uns segundos, mas na minha opinião podemos escolher a saudade que sentimos, quando digo isto falo de escolher entre deixar que ela mande na nossa vida ou não.

O passado não volta a menos que se deixe, os sentimento num determinado tempo da nossa história não voltam a menos que queiramos, apesar do passado viver na nossa cabeça temos o poder de escolha, deixar que as garras de pequenas memorias nos impeça de viver o que queremos ou podemos elimina-lo, remover a nossa mente dessas memorias e criar outras.

Remover certos momentos do nosso passado não quer dizer que as esquecemos, apenas escolhemos remover do plano central. 

Por isso é que visitas do passado são as pior, podem abanar um mundo pouco estável, baralhar algo que não está resolvido, mas quando estamos no caminho certo onde não há dúvidas o passado pode vir, pode ficar durante meio dia ou um dia e depois voltar para as caixas no fundo nos nosso cérebro.

terça-feira, 22 de setembro de 2015

Até que um dia ...


 O mundo não parou de girar, eu não parei de respirar, os meses vão caminhando para anos e tudo parece tão distante, por vezes até penso que foi tudo um pesadelo. Mas não, aprendi que não somos feitos de vidro mas sim de plasticina e a vida molda a pessoa para ultrapassar todo tipo de situações, mesmo perdendo pedaços antigos.

 Não é perceptível certas mudanças, mas num todo faz uma grande diferença. Deixamos de pensar que não somos suficientes, não somos dignos, que temos defeitos que impedem a nossa felicidade, só que no fim do dia ninguém é perfeito ao ponto de nunca sentir duvidas se vale a pena continuar. 

 A verdade é, que nunca acaba de vez as duvidas, apenas não as temos tantas vezes, os medos vão ficando para trás mas quando caiem num colo como o meu vêm com força e prontos para derrubar toda a força que me mantêm em pé, mas sabendo o que sei hoje já não me assusta os pensamentos e as duvidas que esse tipo de dias trazem, a isolação que eu me imponha foi trocada com a imposição de conviver. 

 Abrir o nosso mundo, rebentar a nossa bolha para deixar alguém entrar e desarrumar tudo o que estava organizado, parecia uma loucura, só que foi isso que me salvou, deixar entrar pessoas no meu mundo, deixar entrar amizade e amor foi a melhor coisa que fiz. Apesar de ter dias que tenho medo e duvidas das escolhas que faço sei que foi isso que mudou a minha visão, foi aprender que podia ser um ser humano normal e ter uma "historia triste" no passado e não mudar nada, nem a maneira como me vêm no presente. Erguer a cabeça do buraco e ver que há luz, que não estamos sozinhos, que estamos feitos mas não acabados era um sonho que tinha e sabia que podia ser uma realidade, só tinha que querer. 

Até que um dia consegui... 

Raquel