terça-feira, 22 de setembro de 2015

Até que um dia ...


 O mundo não parou de girar, eu não parei de respirar, os meses vão caminhando para anos e tudo parece tão distante, por vezes até penso que foi tudo um pesadelo. Mas não, aprendi que não somos feitos de vidro mas sim de plasticina e a vida molda a pessoa para ultrapassar todo tipo de situações, mesmo perdendo pedaços antigos.

 Não é perceptível certas mudanças, mas num todo faz uma grande diferença. Deixamos de pensar que não somos suficientes, não somos dignos, que temos defeitos que impedem a nossa felicidade, só que no fim do dia ninguém é perfeito ao ponto de nunca sentir duvidas se vale a pena continuar. 

 A verdade é, que nunca acaba de vez as duvidas, apenas não as temos tantas vezes, os medos vão ficando para trás mas quando caiem num colo como o meu vêm com força e prontos para derrubar toda a força que me mantêm em pé, mas sabendo o que sei hoje já não me assusta os pensamentos e as duvidas que esse tipo de dias trazem, a isolação que eu me imponha foi trocada com a imposição de conviver. 

 Abrir o nosso mundo, rebentar a nossa bolha para deixar alguém entrar e desarrumar tudo o que estava organizado, parecia uma loucura, só que foi isso que me salvou, deixar entrar pessoas no meu mundo, deixar entrar amizade e amor foi a melhor coisa que fiz. Apesar de ter dias que tenho medo e duvidas das escolhas que faço sei que foi isso que mudou a minha visão, foi aprender que podia ser um ser humano normal e ter uma "historia triste" no passado e não mudar nada, nem a maneira como me vêm no presente. Erguer a cabeça do buraco e ver que há luz, que não estamos sozinhos, que estamos feitos mas não acabados era um sonho que tinha e sabia que podia ser uma realidade, só tinha que querer. 

Até que um dia consegui... 

Raquel 

sexta-feira, 20 de março de 2015

Culpa e Desculpas

A culpa faz a pessoa encolher de medo e os pedidos de desculpa são uma espécie de droga para gente que não gosta de agir. Uma coisa depende da outra fazendo com que nenhuma seja real, mas as palavras são alimentadas pelo medo de errar e de admitir que se errou.

Se não se alimentar as palavras elas vão perder o significado mas o ser humano luta intensamente para atribuir culpas e para decidir quem deve pedir desculpas.

Se tivéssemos num mundo alternativo, cheio de felicidade e unicórnios aposto que era inventada uma maneira para a culpa e a desculpa existir e ser usada como coação sobre as pessoas.

De qualquer forma por mais imperfeito que seja a lógica do mundo é assim que vivemos, com dedos prontos para nos culpar e olhos moralistas à espera de desculpas.

terça-feira, 10 de março de 2015

Atribuição de Culpas


Nós procuramos o amor em lugares onde sabemos que vamos falhar e depois o mundo (ou o destino, depende em que acreditamos) é o culpado por a ideia.

A única vantagem de não amar é não sofrer nas mãos de alguém, as consequências são irrevogáveis e as memorias não vão desaparecer nem com o “famoso” tempo, todos sabemos que a frase: “com o tempo passa…” é a maior parvoíce existente (!) é uma desculpa parva e sem sentido (mas isso fica para outra altura).

A questão é aceitar que a falha foi completamente nossa, a escolha de dar um sentimento tão frágil a alguém tão estupido ao ponto de nem saber o que fazer com ele é completamente nossa. Podes ter sido enganado, mas deve ter havido (mesmo que pequenino) um momento em que a realidade conseguiu superar as hormonas e deves ter visto o erro que estavas a cometer. Só que mesmo assim a tua escolha foi continuar.

O que prova que nem o mundo, nem o destino, nem nada que estejas a culpar pela desilusão que estas a passar é mais culpada que tu. Não destes ouvidos aos burburinhos que o mundo estava a fazer e não querias ver que o destino estava a mostrar.

Arca com as consequências, e deixa-te superar isto.  

Raquel.

Quando As Palavras Perdem o Significado: Amor.

Há muitas maneiras de perder o significado de amar. 

1ª - Foste enganado o suficiente.
2ª - A exploração desta palavra é tanta que agora não faz parte do teu vocabulário. 
3ª - Aprendes-te que a palavra "amar" ou "amor" não é nada quando dita sem qualquer sentimento verdadeiro por trás

Uma destas (ou outras) razões fizeram de ti a pessoa dormente que és, não é bom sinal apenas é o teu único mecanismo de proteção. A verdade é que não faz de ti imune ao sentimento. Não associar a palavra ao sentimento não faz dele inexistente, nem faz a ti mais forte, pelo contrário, ao ignorar o sentimento durante bastante tempo faz com que não o reconheças (nem se ele te cair em cima da cabeça aos trambolhões) e a pior parte é que ele vai voltar, o melhor mesmo é estar preparado. 

Ignorar sentimentos não te faz intocável, deixa-te mais fraco, deixas de estar preparado, não tens reação. Por isso (é só um conselho) não feches os sentimentos em caixas, cultiva esse sentimento até seres capaz de conviver com ele sem te magoares, deixa-te sentir, deixa-te viver com todos eles para eles não se virarem contra ti um dia mais tarde. 


Não és a pedra de gelo que pensas ser, tens só uma boa fachada (o que não é mau) só que com o tempo vais ver essa fachada a desaparecer e depois quando tiveres que lidar com tudo o que estava guardado vais acabar por fazer asneira, não escolhas o pior caminho (nem o melhor, porque não há), escolhe o caminho que é confortável para ti, que saibas lidar. A negação é um veneno que poucos conseguem tirar do sistema. 

Raquel. 

sábado, 17 de janeiro de 2015

Ano Novo. Sem Nova Vida.

Eu tento, tento viver com o que está gravado no meu cérebro, com a luta para sorrir, para lidar com mais um dia sem objetivos, com mais um ano de sobrevivência quando sei que só aqui estou porque falta-me coragem, falta-me o gatilho, falta-me a compreensão que isto não é uma luta de uns meses ou de uns ano, falta-me a vontade, vontade de acordar, vontade de sair, vontade de lutar, vontade de ver o mundo pelo que é apenas… um lugar onde era suposto encaixar, pertencer, conviver.

Consigo viver com a dor, com a mágoa, com as palavras duras de quem não faz a mínima de quando me afeta. Era suposto ter deitado tudo fora vai fazer um ano, limpei a alma para uma nova vida, mas ao final do dia quando fecho os olhos vejo o lixo que esta acumulado escondido debaixo de falsos sorrisos e boas maneiras e perco a vontade de voltar a abrir os olhos para voltar a fingir que está sempre tudo bem, que tudo esta normal.

Eu acho que a razão deste sentimento destrutivo é nunca ter falado o que pensava e esperava por um altura certa que nunca chegou, também pode ser o facto que até a dormir encontro motivos para me odiar, já para não falar de todas as vezes que quis ser “uma pessoa normal” e deixar as armas no chão e as paredes cair.

O meu problema está sempre comigo, estou danificada, cansada de sorrir sem vontade, cansada de lutar para que o mundo me aceite.